poema para li bai:
brindas à lua agora que a solidão te abraçou
com que silêncio dançarás ao tempo infinito?
que poema te entregará a doce embriaguez?
com a tua sombra no firmamento te alcanças
sempre te diluíste vazio entre os lótus verdes
ansiando a morte como um verso lento e doce
6 de novembro de 2005
poema para os poetas que estão nas graças de toda a gente: espécie de lamento:
os outros poetas vivem na casa da poesia
os outros poetas têm a sua voz protegida
os outros poetas estão presos a um cordel
os seus poemas não dormem ao relento
os seus poemas não precisam de tempo
os seus poemas não se sujam sozinhos
os outros poetas vivem na casa da poesia
os outros poetas têm a sua voz protegida
os outros poetas estão presos a um cordel
os seus poemas não dormem ao relento
os seus poemas não precisam de tempo
os seus poemas não se sujam sozinhos
na manhã que se levanta está o teu rosto em construção
no imenso areal a tua boca procura as primeiras sombras
um caminho que as tuas mãos exponham fora das horas
um soluço a tristeza com palavras pelo céu transparente
encontro no lento fluir das águas a tua predição tranquila
como se tivesses revelado um perfume para a poesia
uma música que perpetuasses no coração das rosas?
eu sei que ardeste na última vez que te lançaste ao mar
que as tuas ânforas não suportaram o desejo do tempo
que as mesmas ondas que te rodaram o rumo da luz
foram os mastros que te romperam a seda dos sonhos
eu sei que te dispersaste nas vazias calhas do silêncio
e as estrelas foram poucas para a noite que procuravas
com que pensamento poderás derramar estes afectos?
com que cor para caiar as heras e os muros brancos?
no imenso areal a tua boca procura as primeiras sombras
um caminho que as tuas mãos exponham fora das horas
um soluço a tristeza com palavras pelo céu transparente
encontro no lento fluir das águas a tua predição tranquila
como se tivesses revelado um perfume para a poesia
uma música que perpetuasses no coração das rosas?
eu sei que ardeste na última vez que te lançaste ao mar
que as tuas ânforas não suportaram o desejo do tempo
que as mesmas ondas que te rodaram o rumo da luz
foram os mastros que te romperam a seda dos sonhos
eu sei que te dispersaste nas vazias calhas do silêncio
e as estrelas foram poucas para a noite que procuravas
com que pensamento poderás derramar estes afectos?
com que cor para caiar as heras e os muros brancos?
4 de novembro de 2005
Brad Mehldau
este homem dá-me um horizonte de esperança no escurecer do outono: a sua música é a arte do jazz no seu mais denso esplendor. Claro está, para quem gosta. Brad Mehldau: day is done - a sua última gravação.
Padre António Vieira
quem me dera que os meus alunos percebessem o contributo deste homem para aquilo que une, hoje, mais de duzentos milhões de seres humanos...
A internet tem um perigo tão intenso quanto a enormidade de horizontes que encerra. Principalmente para os jovens estudantes que dão, frequentemente, erros induzidos pela utilização excessivamente despicienda da língua portuguesa nos chats. Bom, foi só um desabafo. E qualquer outra coisa mais. Para bom entendedor meia palavra basta. Ah, e o meu nome começa por D.
20 de julho de 2005
requiem por immendorf
houve um dia uma guerra
um dia uma guerra ardeu-se dentro dos homens
um dia os homens arderam com a guerra
e um dia a guerra roubou aos homens a sua arte
um dia a arte dos homens ardeu com a guerra
e a arte morreu dentro de muitos homens numa só guerra
um dia uma guerra ardeu-se dentro dos homens
um dia os homens arderam com a guerra
e um dia a guerra roubou aos homens a sua arte
um dia a arte dos homens ardeu com a guerra
e a arte morreu dentro de muitos homens numa só guerra
totempepeverdepersito
cristiana cerreti é uma ilustradora italiana que vale a pena conhecer: faz-nos crescer uma sede imensa pela infância (latente? perdida? presente?)
www.cristianacerretti.it
www.cristianacerretti.it
16 de junho de 2005
a minha casinha (antes)
finalmente um lugar onde morrer com o tempo das pedras. finalmente uma casa para guardar as minhas memórias futuras do passado.
15 de junho de 2005
há coisas que doem devagar
como uma morte anunciada
como uma ferida aberta num coração há muito perdido
há coisas que não têm nome
para não serem segredadas
nem à mais impossível noite
nem à mais triste pedra
há coisas que te queria dizer
e não sei
talvez as chore aqui
aos poucos
como aos poucos nos fomos perdendo
como uma morte anunciada
como uma ferida aberta num coração há muito perdido
há coisas que não têm nome
para não serem segredadas
nem à mais impossível noite
nem à mais triste pedra
há coisas que te queria dizer
e não sei
talvez as chore aqui
aos poucos
como aos poucos nos fomos perdendo
14 de junho de 2005
em santa maria sentiu-se a morte do poeta: o verão parou a sua caminhada inaugural para tecer-se ao contrário, derramando a última fímbria do inverno sobre nós. calou-se o poeta e a chuva voltou para nos lembrar como ele falava dela, vendo-a sobre o rosto da sua mãe, dolorosamente suave. o poeta calou-se e o dia ficou não-azul, não-palavra, não-silêncio... vejo somente um rasto fulgente para a poesia, um rasto seguindo as aves...
7 de junho de 2005
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