há uma criança brincando no baú das memórias
devastando o silêncio solene do esquecimento
de repente as coisas que antes eram portas fechadas
agora são cores que nos libertam da dor de morrer








a cidade faz-se de subterrâneas noites
suturando as partes desavindas da arquitectura
a cidade faz-se de candeeiros desabrigados
fingindo uma sombra sobre a solidão das horas
a cidade faz-se de palavras reservadas
aguardando a olorosa inquietação dos poetas
a cidade faz-se de escadas cambaleantes
abrindo um pórtico no chão do silêncio