3 de janeiro de 2010



10 COISAS QUE QUERO FAZER EM 2010

1. Usar o fio dental de uma vez por todas;
2. Ver o fim da série LOST;
3. Queimar a buzina do meu carro quando o Benfica for campeão;
4. Montar os meus IKEAS sem me sobrar nenhuma peça (tenho a casa toda para mobilar assim);
5. Jogar à bola sem trazer para casa uma rotura muscular;
6. Fazer 35 anos e não pensar que no tempo em que festejavam o dia dos meus anos é que era bom;
7. Acabar de ler o romance O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS (vai para dez anos que o comecei);
8. Usar a bicicleta e ter uma desculpa para comprar uns ténis novos (obviamente por desgaste);
9. Usar menos a internet;
10. Vender mais de 10 livros.

PS: Podem dar uma ajudinha? Passem por uma livraria! Um abraço!

27 de dezembro de 2009



Terça-feira, dia 29 de Dezembro, pelas 18 horas, na Livraria Capítulos Soltos, o poeta João Ricardo Lopes apresenta o poemário fotográfico de minha autoria (parceria com o fotógrafo Pepe Brix).

Apareçam!

26 de dezembro de 2009



O ano de 2009 foi como qualquer outro. Com coisas boas e coisas menos boas. Como sempre sobra o que esteve perto da poesia... Guardo com carinho a recente amizade com Luandino Vieira e os lançamentos do livro RUMORES (Santa Maria, Lisboa, Santo Tirso). Espero que 2010 seja um ano de poesia, também!

17 de dezembro de 2009

LANÇAMENTOS EM DOSE DUPLA









Depois da apresentação em Lisboa, na Livraria Pó dos Livros, no passado dia 21 de Novembro, eis que o meu mais recente livro será apresentado no Norte, finalmente. Em Santo Tirso é já no dia 22 de Dezembro, pelas 19 horas na Biblioteca Municipal, com apresentação do Professor António Oliveira e sete dias depois, a 29 de Dezembro, em Braga, na Livraria Capítulos Soltos, pelas 18 horas, estando a apresentação a cargo do poeta João Ricardo Lopes.

Os livros estarão à venda a um preço especial de lançamento na Biblioteca de Santo Tirso. Apareçam e levem uma prenda de Natal convosco!

Um abraço natalício, Daniel.

29 de novembro de 2009

REGRESSAR À NORMALIDADE


Decidi há dias regressar ao tempo em que comunicava por carta. Decidi regressar à normalidade de um tempo em que os amigos eram verdadeiros e a única coisa virtual era a própria palavra virtual. Amigos eram os que correspondiam e se davam ao trabalho de colar um selo com a sua língua...

Acabei com o Facebook e com o Twitter. Não doeu nada, pelo contrário, senti uma espécie de alívio. Não vou ter pena dos duzentos e tal amigos... deixei lá o meu endereço. Quando sentirem a minha falta, é só escreverem-me. Contam-me então todas as coisas que os deixam felizes, apenas aquelas que interessam e nada de quintas virtuais! E depois eu respondo sempre, sempre e mando prendinhas também.

Mantenho-me, contudo, neste blogue. É uma coisa minha nem que seja apenas para mim, embora saiba que há muitas pessoas que o lêem. A elas deixo o meu carinho e a vontade que me escrevam, também. E depois, já sabem, respondo sempre.

Um abraço, Daniel.

12 de novembro de 2009






nem sempre estamos juntos
nem sempre nos recolhemos na mesma concha

nem sempre percorremos o mesmo mapa
nem sempre apanhamos as mesmas pedras do caminho

nem sempre beijamos com a mesma boca
nem sempre nem sempre

nem sempre escutamos o tempo desavindo
nem sempre repetimos a nossa manhã perfeita

nem sempre havemos de compreender porquê
porquê nem sempre porquê nem sempre




(para a BETA)

8 de novembro de 2009




tenho estado à espera de um beijo teu
como se nada mais importasse neste mundo injusto


5 de novembro de 2009



lembra-me da primeira vez
era inverno pela metade ainda
a noite tão longa e tão pouco tempo

lembra-me da primeira vez
havia incensos e velas que estavam apagadas na sua cintilação
mas iluminavam de maçã e canela o teu quarto

lembra-me da primeira vez
o teu quarto era a tua casa
cabiam os teus livros as minhas cartas a nossa espera

lembra-me da primeira vez
desenhámos nas nossas mãos o caminho que queríamos traçar
o mapa que depois havíamos de entornar sobre as nossas próprias bocas

lembra-me da primeira vez
eu lembro apenas que quase esqueci


24 de outubro de 2009


Ut liceat nobis tota perducere uita

aeternum hoco sanctae foedus amicitiae.


e que nos seja dado, a vida inteira, sempre

este pacto viver de amor sagrado.


(Catulo)



e se não tenho mais nada

que tenha ao menos

esta palavra


guardada como o único beijo

que sobrou do silêncio


uma palavra como um

gerânio


contra toda a ferocidade

do inverno


uma palavra: o teu

nome



16 de outubro de 2009

quase que esqueci o verão
agora que tropeço nas folhas breves
os cheiros nómadas dos dióspiros

só me resta a mão fechada
e dentro dela

a última ameia da praia

1 de outubro de 2009

versão 5

depois de alguns dias à volta deste poema, vestiu-se desta forma: a estrutura está pronta, falta, porventura limpar alguma imprecisão. tenho de o dedicar à sandra, obviamente, pela cumplicidade nas leituras. obrigado.


o vestido que trazes está gasto como o nome que deste ao amor

saqueado como o chão da seara depois da fermentação do verão

inútil como uma palavra à roda de um poema que não se iluminou


o vestido que trazes arruinou a sua bainha e desfiou-se a chorar

parece um jornal amarrotado uma película translúcida de silêncio

deixando ver as feridas nos joelhos o coração resistindo ao vento


passou de moda porque deixaste de te despir com a luz acesa

e o espelho já não alcança a parede onde havia um outro retrato


já não te serve porque esqueceste de mudar a água aos girassóis

e agora há uma escuridão que se enovela à volta da tua tristeza

pesando sobre os teus olhos como uma pedra tirada a um poço

ou uma música de embalar de onde se perdeu a letra e o sonhar


o vestido que trazes está perfumado de pérolas que se partiram

num excesso das sombras que musicam a vaivência da solidão


e como uma vinha a quem se arrancou o chão antes da vindima

pareces-me abreviada despida exangue impossível descosturada


28 de setembro de 2009

versão 4 (mais um detalhe à procura do fim)

o vestido que trazes está gasto como o nome que deste ao amor

saqueado como o chão da seara depois da fermentação do verão

inútil como uma palavra à roda de um poema que não se iluminou


o vestido que trazes arruinou a sua bainha e desfiou-se a chorar

parece um jornal amarrotado uma película translúcida de silêncio

deixando ver as feridas nos joelhos o coração resistindo ao vento


passou de moda porque deixaste de te despir com a luz acesa

e o espelho já não alcança a parede onde havia um outro retrato


já não te serve porque esqueceste de mudar a água aos girassóis

e agora há uma escuridão que se enovela à volta da tua tristeza

pesando sobre os teus olhos como uma pedra tirada a um poço

ou uma música de embalar de onde se perdeu a letra e o sonhar


o vestido que trazes está perfumado de pérolas que se partiram

num excesso das sombras que musicam a vaivência da solidão


e dói como dói

VERSÃO 3 (DEDICADA À SANDRA)


o vestido que trazes está gasto como o nome que deste ao amor

saqueado como o chão da seara depois da fermentação do verão

inútil como uma palavra à roda de um poema que não se iluminou


o vestido que trazes arruinou a sua bainha e desfiou-se a chorar

parece um jornal amarrotado uma película translúcida de silêncio

deixando ver as feridas nos joelhos o coração resistindo ao vento


passou de moda porque deixaste de te despir com a luz acesa

e o espelho já não alcança a parede onde havia um outro retrato


já não te serve porque esqueceste de mudar a água aos girassóis

e agora há uma escuridão que se enovela à volta da tua tristeza

pesando sobre os teus olhos como uma pedra tirada a um poço


24 de setembro de 2009



DO POEMÁRIO DO POEMÁRIO...

Partilho convosco a construção deste poema, momento a momento, até ser alguma coisa, próxima daquilo que foi o seu sonho.


DIA UM:



o vestido que trazes está gasto como o nome que deste ao amor

saqueado como o chão da seara depois da fermentação do verão

inútil como uma palavra à roda de um poema que não se iluminou


o vestido que trazes já não é teu há tanto tempo que o seu pretérito

é mais perfeito que a primeira vez que deixaste de ser transparente



DIA DOIS:



o vestido que trazes está gasto como o nome que deste ao amor

saqueado como o chão da seara depois da fermentação do verão

inútil como uma palavra à roda de um poema que não se iluminou


o vestido que trazes arruinou a sua bainha e desfiou-se a chorar

parece um jornal amarrotado uma película translúcida de silêncio

deixando ver as feridas nos joelhos o coração resistindo ao vento


passou de moda porque deixaste de te despir com a luz acesa

e o espelho já não alcança a parede onde havia um outro retrato


21 de setembro de 2009



há uma criança brincando no baú das memórias

devastando o silêncio solene do esquecimento

de repente as coisas que antes eram portas fechadas

agora são cores que nos libertam da dor de morrer



17 de setembro de 2009




porque lá fora talvez encontres a razão de teres acordado
olhas da janela como se ainda não soubesses quem és

mas a verdade é que não vale a pena perder tempo à procura
daquilo que certamente trouxeste atado às mãos

um nome de um lugar que sonhaste esta noite
e uma casa noutro lugar onde tudo podia ser diferente

excepto o teu nome com cheiro de rosas e precipício de mar
capaz de abraçar o céu e inventar uma nova palavra

por isso fá-la tua e escreve um caminho na tua manhã

e sai

10 de setembro de 2009


UM POEMA PARA O PAI DO PAULO E PARA A MÃE DA PAULA



a árvore da vida assenta no chão fecundo do amor
e à volta dela todas as pequenas coisas contam
se o coração é puro e as asas continuam por achar

a árvore da vida cresce no meio das nossas promessas
e deixa-nos à sombra daquilo que poderíamos ter sido

a árvore da vida tem frutos que são pássaros
e pássaros que são palavras refulgentes

os nomes que havemos de dar aos nossos filhos
ou os livros com que o nosso ventre
há-de aprender a cerzir outra forma de sermos eternos

a árvore da vida é o passadiço para a morte subir até deus e dizer
afinal nada tem um fim e tudo isto é apenas outra forma de viver






(porque o peso das palavras é grande
preferia o abraço)

9 de setembro de 2009




capacito-me para o fim do verão
recolhendo as últimas imagens

cosendo as partes líquidas de um naufrágio
que se faz de uma tentação sem oceano

e adormeço antes que a noite se arboresça sobre nós
antes que a música se cale

e o frio regresse

5 de setembro de 2009





vejo-te como uma palavra a quem ainda não se deu um nome
uma altíssima constelação
cega do peso todo da noite

e no entanto quero abraçar-te
render-te nas minhas mãos e contar-te os lugares onde fui ver
se o mundo era apenas um búzio fechado

revela-te abre uma boca no teu rosto e diz-me
se és rosa papel argila ou pedra

que eu estou cego e já não vejo para além
da luz inicial da paixão


14 de agosto de 2009

NOVO LIVRO DE DANIEL GONÇALVES


Será lançado, durante o 25º Festival Maré de Agosto, o livro de fotografia de Pepe Brix e de poesia de daniel gonçalves. São 30 fotos de uma exposição sobre a Europa de Leste e poemas inspirados por esses lugares. Uma edição Labirinto. O lançamento ocorrerá dia 21 de Agosto na Ermida de Santo Amaro, Ilha de Santa Maria.





é uma viagem que não sabes como deflagrou

um espaço imenso à tua volta

que te incendeia os sentidos



fotografias que estão do outro lado do espelho

e uma música que solta a bombordo da tua alma

o pedaço de silêncio que te faltava



são sobretudo as palavras que te minavam as mãos

se quisesses mostrar o teu coração a alguém



e uma conta infinita de sonhos

cada um deles como uma árvore acabada de florir







(para adquirir o livro visite a casa da editora Labirinto, aqui)