17 de maio de 2007
como a ler a imagem
com as flores
pétalas das palavras doces
com que te sonho
e o lugar onde chego
é este poema
o coração e o tempo
da felicidade
25 de abril de 2007
um poema com cartier bresson
um instante de luz preso à bicicleta que acorda a manhã
sou eu que me prendo à retina das coisas transparentes
sou eu que reconheço os contornos das primeiras coisas
é a mim que se atam os diademas das palavras felizes
é a mim que a poesia vem dizer onde está a tristeza
para não voltarmos a essa casa a essa colina de sede
desde que encontrei a tua boca rescrevendo o tempo
um tempo que não há noutro lugar nem noutro afecto
como se soubesses a exacta medida em que se ama
ou por que asa se erguem os carinhos sobre o amor
um instante feliz asilado no ventre das nossas mãos
como uma moeda para pagar a felicidade do mundo
um instante de luz que nos compense da escuridão
com que os sonhos se lançam para os nossos olhos
17 de abril de 2007
dançando na voz da palavra (com degas)
e há a delicadeza do teu olhar
há palavras amorosas
e há o amor do teu coração
há palavras doces
e há a doçura do teu olhar
há palavras tantas palavras
para dizerem tanta coisa
e há o teu silêncio dançando
dançando a beleza do mundo
(para ti, beta)
14 de abril de 2007
van gogh e um detalhe esquecido
como és bela
como és tão bela
com a amendoeira dos teus sonhos
a iluminar a tua boca
doce
tão doce
14 de março de 2007
2 de março de 2007
esquina do tempo (escrita agora)
onde vou
o que está daquele lado do silêncio
para onde vou puxando as mesmíssimas palavras
de sempre
será que a chuva há-de ser a mesma
ou a tristeza põe-se ai de outro jeito?
1 de março de 2007
às 11 e 11 com rufus wainwright
Woke up this morning and it wasnt in heaven
Those are the reason 'bout
Where I was sleeping but I was alive
I was alive
Woke up this morning at 11:11
John was half-naked and Lulu was crying
Over a baby
That'll never go crazy
But I was alive
And till the end of this world,
We'll all load in a dump truck of human
11:11
What else can I do,
What else can I do
Woke up this morning and
Something was burning
Realized that everything really
Does happen in Manhattan
Thoughts were of characters
And afternoons lying with you
And you were alive
Ohh, the hours we are seperate
11:11 is the precious time we wasted
So pack up your bleeding heart
And put away your posies
I don't want to have a drink
Or play ring around the rosie with you
Oh no, no
Ohh, the hours we are seperate
11:11 is the precious time we wasted
So let the blind fight the blind and see,
As the fall take over summer
Bringing the lattice roses
And as winter brings the spring rain
And to the end of this world,
We'll all load in a dump truck of human
11:11
26 de fevereiro de 2007
poema entrecortado com silêncio e outra coisa
ou não houvesse mais conchas retidas no desanoitecer
perdi-me na formosa praia que respirava a última maré
levando os despojos de volta à mão fechada da procura
escutei uma música prevendo o subsilêncio da espera
senti um pássaro desenhando um poema na sua árvore
como se o chão o incentivasse com o peso das palavras
e as coisas tristes pereceram assim na sua fragilidade
as promessas e as mesas postas no sabor da ausência
as orações diluídas no vento um ritual alinhado em paz
tudo se perdeu em fio e só o sentido de luz se reergue
um momento levando uma lágrima perfeita no seu rosto
soprando o orvalho na suavidade do nosso amanhecer
um momento para voltarmos a pegar na raiz do coração
e caiarmos enfim as paredes para as nossas buganvílias
31 de janeiro de 2007
se o amor é uma palavra é uma roseira esperando a tarde
se o amor é uma palavra é uma casa acordando as janelas
se o amor é uma palavra temos de lhe atar a nossa boca
e desenhar no seu coração a água que nos leva da terra
assim que percebemos a delicadeza dos nossos carinhos
quando sabemos que o horizonte se prende à nossa mão
e não há outro pensamento além do nosso sonho alado
quando ampliamos a sedição do tempo nos nossos ombros
ou estamos parados num instante à espera da eternidade
quando olhamos para a nossa sombra nos dorso da noite
e não há outra asa para nos unirmos à constelação da paz
quando sentimos os pássaros trazendo a primeira manhã
depois de termos amontoado as pedras do nosso cansaço
o amor é uma palavra porque está à espera deste carinho
deste arquipélago destas mãos deste sopro desta corrente
poema para JC
26 de janeiro de 2007
dez anos de solidão ou as horas todas desta vida de silêncio
para encontrar na profundeza da noite a cintilação da manhã
dez anos de solidão para silabar a poesia na luz das palavras
no mesmo carinho com que nos confiamos ao clarão do amor
dez anos de solidão com a boca atada ao cuidado da paz
com o corpo protegendo a delicada promissão do paraíso
com que cada verso se acende contra a inclinação do frio
dez anos de solidão para que me crescessem estas mãos
e houvesse buganvílias anulando a tristeza do fim da tarde
barcos com sonhos na proa e nas asas brancas das velas
levando ao último horizonte as pedras densas do cansaço
dez anos de solidão como uma casa erguida contra o tempo
onde cantasse a língua com as suas primaveras secretas
e fosse possível inventar um poema contra o esquecimento
ou o cume do inverno que é termos a morte à nossa espera
(para os que sabem o que é dez anos de solidão)
20 de janeiro de 2007
18 de janeiro de 2007
poema com manet
o frágil movimento de cor sobre um círculo de afectos
agora que a pele se dissolveu como uma voz à chuva
suspendendo na respiração as margens do firmamento
agora que a casa se musicou de um segredo inflamável
em cada imagem perfumada na doce seda das violetas
com a manhã crescendo no tear límpido de cada janela
toda esta maré desviada toda esta erosão desatenta
me parece agora tão nítida tão concreta tão pacífica
como se os gestos se adentrassem seguros no chão
escutando aquilo que achavam ser o pulso do tempo
agora que as palavras têm um carinho um rosto sereno
como os pássaros têm asas para um coração tão leve
acendo a pulsação transparente das pequenas coisas
e procuro o sonho a menina dos olhos do pensamento
15 de janeiro de 2007
verso(s) com foto de manuela vaz
todos os dias se dilui velozmente a madrugada
será assim tão escassa a luz nas nossas vidas?
5 de janeiro de 2007
poema de amor com instante de bresson
bresson
partilhado por danielsg.
tenho um poema de amor declinado nos meus olhos
como uma transparência que emerge deste silêncio
um poema de amor que fala das coisas mais pequenas
as coisas que esperam que lhes doemos a nossa boca
estou à espera que repares na forma como te escuto
ou como te toco ou como te sinto rente aos sentidos
ou como me movo entre a tua luz entre as tuas mãos
estou à espera que encontres o coração deste poema
e sintas nele a perfumada vereda dos nossos afectos
a casa com as suas janelas alinhadas com os gerânios
e toda a delicadeza de um sonho acordado como a cal
porque eu sei que temos um lugar onde o anoitecer
é outra forma de recolher uma folha pacífica ao tempo
porque és tu quem me pega no olhar ao amanhecer
e me recolhe as primeiras palavras o primeiro poema
verso(s) com bresson
31 de dezembro de 2006
poema escrito na delicadeza de um girassol
girassol
partilhado por danielsg.
se um dia foste um sonho
agora és o poema respirado
o poema escrito com a tua luz
se um dia foste o silêncio
agora és o nome que acorda o amor
o nome que me ata a manhã à profundidade da noite
se um dia foste apenas uma flor
agora és um corpo que habita o coração
um corpo como um jardineiro que repara as feridas
se um dia foste apenas um girassol
agora és um girassol que gira
que gira que gira...
PARA A BETA
27 de dezembro de 2006
poema com foto de brassaï
partilhado por danielsg.
a cor do carinho
está no ventre do amor
gerando-se no coração dos afectos
como um poema
na mão de deus
21 de dezembro de 2006
by my side (foto do javali do deserto)
By my side
partilhado por Javali do Deserto.
iremos lado a lado
levando a boca do mar
nos nossos bolsos
e os afectos prometidos
no arrepio da maresia
12 de dezembro de 2006
o meu outono
11 de dezembro de 2006
7 de dezembro de 2006
alentejo à porta
alentejo à porta
partilhado por danielsg.
à porta de casa
guardas os frutos da terra
e dentro do coração
o cansaço e o tempo
velhinha à porta
velhinha à porta
partilhado por danielsg.
velhina à porta de casa
o que é a miséria?
a ignorância da fortuna?
nem digas
(não precisas dizer)
13 de novembro de 2006
mocho (do latim murtulu ou mutilu)
mocho (do latim murtulu ou mutilu)
partilhado por danielsg.
a amizade é um voo rasante
na noite do esquecimento
iluminando a escuridão
com os carinhos acumulados
da nossa vida
(para o adriano
ab imo corde)
uma espécie de poema com foto de cole porter
porter rose petals
partilhado por danielsg.
os despojos do dia trazem de volta
os nossos carinhos (os doces beijos
encontrados com os instantes de luz)
quando a maré regressa à boca da praia
para sussurrar a viagem pelo profundo azul
de onde é possível ver e escutar
a nossa promessa de eternidade
(para ti obviamente: mais que tudo)
31 de outubro de 2006
até no fim (ao fim)
espaço
partilhado por danielsg.
não imagino um limite
uma estrela ao fundo da noite
ou um horizonte preso à sua linha dorsal
não acredito na profundeza da escuridão
nem na aridez do silêncio
ou na morte imprevisível de todas as árvores
ou de todos os pássaros ou de todos os búzios
mas há um momento indelével
em cada palavra de amor
(uma vida acrescentada à eternidade)
um quase poema sobre o outono
Window Raindrops
partilhado por danielsg.
de dentro da casa é fácil recolher as gotas da chuva
estão atadas à janela que dá para a tarde fria
cada uma é como a tristeza condensada do outono
o não podermos passear junto ao mar (sem nos confundirmos
na indelicadeza da rebentação)
a mão pesada do vento nos alagando os cabelos (entrançando
por vezes os teus nos meus)
e todas as folhas que queriamos juntar (uma a uma até termos
os olhos cheios)
e é estarmos como uma promessa de amor
do lado de dentro do coração
vendo a vida passar apressada lá fora
16 de outubro de 2006
para o joão pinto (como um telefonema ao fim do dia)
mistico
partilhado por danielsg.
preciso renovar-te todas as manhãs este poemário de amor
preciso recontar-te todas as palavras com que nos amamos
e todas as manhãs reencontrar-te na mesma paz inviolável
e todas as manhãs soprar-te os nomes das nossas árvores
porque a noite é um intervalo de silêncio pesando nos olhos
uma extensão infinita de searas de onde se arrancou a luz
ou os pássaros de fogo ou os flancos acesos dos girassóis
porque gastamos tanto tempo da nossa desatenção à espera
tanto tempo do tempo que julgamos ser a nossa eternidade
atando pedras e outros ciprestes à respiração das estrelas
como se não houvera outro ofício para os nossos sonhos
porque é difícil suportar sozinho a inclinação destes afectos
porque o amor quando cresce ata-se à promessa da poesia
e todas as manhãs a poesia pede-me que te diga (outra vez)
como o teu coração aprendeu a desenhar o rosto do amor
(poema em construção)
daniel gonçalves
um poema de amor: com uma casa em flor
varandaflor
partilhado por danielsg.
a nossa casa é um poema donde se pode escutar o amor
a nossa casa é feita das palavras que atamos ao coração
da música e o seu silêncio encontrado nos nossos bolsos
do vaso de gerânios respirando com o linho das cortinas
porque sabemos quais são os livros que nos adormecem
os livros que guardam a embarcação urgente dos sonhos
os livros que são as nossas mãos anunciando os sonhos
porque as palavras que tecemos quando queremos voar
são as mesmas que usamos para cobrir os nossos corpos
as mesmas que vão repetindo até à exaustão das horas
o contorno tão doce do coração de cada um dos carinhos
quando nos deixamos adormecer sobre o chão dos dias
certos de termos dado uma porção de paz à eternidade
certos de termos a poesia em redor dos nossos afectos
e de ser essa a pedra a cal a buganvília da nossa casa
(poema em construção de "vinte poemas de amor e uma canção esperada")
daniel gonçalves
11 de outubro de 2006
tempo azul
flores de vidro
flores de vidro
partilhado por danielsg.
adorava escrever um poema
que dissesse o que sinto
quando olho pela janela
e reparo que o meu tempo
deu tempo a estas flores
de se outonarem dentro de mim
o chão dos dias
chão dos dias
partilhado por danielsg.
encontrar-me-ei com a memória da nossa vida
no chão dos dias que pisámos
com a mesma orientação das sombras
por onde fomos ter a nossa casa
onde o amor dos nossos afectos
era tecido com as palavras
que não precisávamos de dizer
4 de outubro de 2006
27 de setembro de 2006
três dimensões
três dimensões
partilhado por danielsg.
em que dimensão te encontrarei
quando houver casas e
entrecasas
por onde te procurar?
25 de setembro de 2006
verticalidade
verticalidade
partilhado por danielsg.
olha para cima
sempre que puderes
encontrarás as asas que precisas
para voar
amor e um detalhe
22 de setembro de 2006
último movimento
último movimento
partilhado por danielsg.
quando nos deixamos adormecer
já a noite tinha fugido de nós
deixando o movimento veloz do amor
com as cores do sonho
movimento três
movimento três
partilhado por danielsg.
a nossa noite mexeu-se
flutuando com as horas
e o amor soube (ainda assim)
construir uma torre
para o relógio dos afectos
contar a nossa eternidade
21 de setembro de 2006
movimento dois
movimento dois
partilhado por danielsg.
às dez em ponto
a noite ergue-se
no relevo do azul
escondido
que nós sabemos ser
o nosso céu
primeiro movimento
primeiro movimento
partilhado por danielsg.
de dia todos os contornos
estão expostos
os mais delicados
entrelaçados na vertigem
dos mais cansados
20 de setembro de 2006
19 de setembro de 2006
díptico (sem um dos lados)
muralha de melgaço
partilhado por danielsg.
uma muralha ascende
ao nosso azul
divide o silêncio
dos afectos
de um dos lados estamos nós
cercados pelo coração do amor
do outro está a espera
que nos guiou a este
abraço
18 de setembro de 2006
verão desaguando
underwater love
partilhado por danielsg.
o verão acaba
subitamente
com a dor silente
da saudade
como sob a água
tudo fosse mais leve
os sorrisos
felicidade
partilhado por danielsg.
olhei a noite
profundamente azul
prendi-me às estrelas e vi nelas
os sorrisos que me fazem sonhar
3 de setembro de 2006
sombra viva
sombra viva
partilhado por danielsg.
no baloiço das horas
perdemos a felicidade do momento
e o que fica é a sombra viva
na retina do coração
onde tudo é eterno
e nos salva da vida
5 de agosto de 2006
luar sobre nós
luar micaelense
partilhado por danielsg.
vimos a noite espelhar o nosso amor
lá fora
tão fora de nós
nós que éramos o mesmo
corpo de amor
4 de agosto de 2006
poema II (de amor)
chuva incandescente
partilhado por danielsg.
um instante feliz (como num instante de cartier bresson)
um instante de luz preso à bicicleta que acorda a manhã
sou eu que me prendo à retina das coisas transparentes
sou que reconheço os contornos das primeiras coisas
é a mim que se atam os diademas das palavras felizes
é a mim que a poesia vem dizer onde está a tristeza
para não voltarmos a essa casa a essa colina de sede
desde que encontrei a tua boca reescrevendo o tempo
um tempo que não há noutro lugar nem noutro afecto
como se soubesses a exacta medida em que se ama
ou por que asa se erguem os carinhos sobre o amor
um instante feliz asilado no ventre das nossas mãos
como uma moeda para pagar a felicidade do mundo
um instante de luz que nos compense da escuridão
com que os sonhos se lançam para os nossos olhos
quietude (com poema de amor)
quietude
partilhado por danielsg.
se o amor é uma palavra é um gerânio esperando a tarde
se o amor é uma palavra é uma casa acendendo as janelas
se o amor é uma palavra temos de lhe atar a nossa boca
e desenhar no seu coração a água que nos leva da terra
assim que percebemos a delicadeza dos nossos carinhos
quando sabemos que o horizonte se prende à nossa mão
e não há outro pensamento além do nosso sonho alado
quando ouvimos a respiração do tempo transpirar por nós
ou estamos parados num instante à espera da eternidade
quando olhamos para a nossa sombra nos dorso da noite
e não há outra asa para nos unirmos à constelação da paz
quando escutamos os pássaros trazendo a primeira manhã
com que nos olhamos depois de termos perdido o silêncio
o amor é uma palavra porque está à espera deste sopro
destes afectos deste caminho desta doçura deste carinho