6 de dezembro de 2005


há lugares que vão connosco para toda a parte
(ainda hoje carrego dentro de mim
o largo da oliveira - com a oliveira, sobretudo, e o fogo preso do granito)

não há verão que não me aceite no seu coração
no instante mais breve que dura o início da noite
(vestindo de seda-sombra a respiração quente das arcadas)

porque me sinto anónimo e com ela a óbvia tristeza
e o silêncio permite-me falar com um ou outro pensamento mais feliz
e lembrar-me de todas as vezes que aqui vim esperar-te

porque nunca vieste e eu sei que foi essa a primeira morte
que tive que aceitar

como uma ferida que agora se estende dentro de mim
subterrânea a cada pedra (deste lugar)





esta imagem é dedicada à mariamar - por saber melhor que eu a que cheira a oliveira.

2 comentários:

Alma de Poeta disse...

Bom dia poeta.
Vim espreitar da minha janela, e descobrir o sol das tuas palavras.
Beijinho

Bruma disse...

Lindo... Obrigada!
De facto, no Largo da Oliveira sinto-me em casa, sinto-me orgulhosa de ali ter crescido e também sinto que o "carrego dentro de mim"... Faz parte da história da minha vida!
Foram muitas as tardes e as noites que lá passei a conversar, a ver (bom) cinema, a crescer!
Ai, saudades!!!
Beijinhos!