22 de maio de 2006

floral granito


floral granito
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o granito guarda o tempo
dentro do seu coração

bordando tão docemente
as heras da vida

como nós:
num olhar atento

a um detalhe de pedra

18 de maio de 2006

dupla fechadura


dupla fechadura
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sou eu essa porta que se atravessa entre nós
entre duas casas que ainda há pouco
comunicavam pela mesma sala

sou eu essa fechadura que parou para pensar
se abre ou fecha a boca das palavras
se ata ou desata a chave do coração

sou eu esse movimento que oscila no vazio do silêncio
nem rangendo sequer o tempo preso às dobradiças
de todos os gestos que já tecemos juntos

17 de maio de 2006

água mínima


orvalho
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uma água mínima
nascente

refulgente das primeiras palavras
da manhã

sobre a pele mais delicada
da natureza:

o orvalho (palavra demasiado pesada
para essa delicadeza)

16 de maio de 2006

drago em la laguna


drago
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puxando o sangue da terra
o mito da vida e da morte

para o castigo dos mortais?

4 de maio de 2006

24 de abril de 2006

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
 
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa


Sophia de Melo Breyner Andresen

23 de abril de 2006

sem título


dobradiça
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abrir-me-ás
a porta do coração?

a fé das sombras


santinhos
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na sombra que toca todas as coisas
deste mundo

haverá a orla intocável de deus
anunciando a presença
do infinito

a eternidade devolvida aos homens
ou a fé entrecortada
na oração do tempo

luz divina (altar em bravães)


luz
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e deus pode não ser mais que isto:
a luz da manhã
cortando a rosácea do tempo

e manchando de paz
o linho do altar

para beber um carinho


água de fonte
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dou-nos este momento
para saciarmos a nossa sede

pelas nossas mãos tomaremos
o rosto da fonte

e nesse instante o carinho
que desconhecíamos
há-de entrar em nossas bocas


para a norma e para o nélson

detalhes de luz em bravães (sol de abril)


bravães
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da terra sobe a luz
ao sinal de deus

transparência do tempo


transparência do tempo
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o olhar do tempo
é composto de transparências

tecidos que se sobrepõem
ao nada que somos

escrita


escrita
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um poema que eu rasgasse
na pele do tempo

inscrito nos poros
da pedra que nos vigia
o envelhecer das mãos

luz oscilante (mosteiro de bravães)


luz oscilante
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se alma é etérea
há-de oscilar
na contradança da luz

no interior do coração do silêncio
como uma lamparina
de sonhos

soprando a forma das asas
dos anjos que virão
mostrar o rosto de deus

16 de abril de 2006

gato que dorme na rua


gato que dorme na rua
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o gato estende-se no seu banco
vendo a tarde girar sobre si

tudo lhe passa tão levemente
que nem uma palavra
rasgada de uma pedra
o assusta

é por isso que é feliz e há poetas
que falam disso

viola esperando


viola esperando
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sou como a viola da terra
na oficina do violeiro
esperando a sua vez

para ganhar asas
e soprar música de dentro de mim
preciso das tuas mãos

dream or cream?


dream or cream?
Originally uploaded by danielsg.
sonho ou doçura?

que asa te dar
ó doce anjo
do meu sonhar?

chuva dissolvente


chuva dissolvente
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como numa música que vem de longe
esta chuva dissolvente
atrasa o sorriso do dia

6 de abril de 2006

reflexágua


reflexágua
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na água a minha estrela
parece a mão

com a alma resplandecente da poesia

acenando ao silêncio

5 de abril de 2006

reflexo


reflexo
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o céu entrou-me dentro de casa
deixando no vidro o seu rosto
onde repousa agora a minha viagem

30 de março de 2006

atravesso contigo a imensidão incandescente da tarde
o itinerário oscilante dos pássaros em seu silvo branco

na torrente da sombra sentimos a infelicidade do silêncio
a pele encarcerada das pedras a resistência do tempo

transcorremos as searas até à desmesura da infância
recolhemos a eternidade uma colina para atar a paz
as palavras submersas na cintilação do esquecimento

no teu rosto o vago rumor da tristeza inicia uma flor
um canal pacífico para a delicadeza do firmamento
como se as asas do inverno perdessem a corrente
e houvesse uma hora para chamar de novo o amor

podemos purificar a errância da sede a cor do olhar
trazer uma sílaba de luz à coleante brevidade da vida

e só temos que nos abraçar deixar o coração morrer
para escutarmos a primeiríssima constelação da noite


um poema de "o afecto das palavras"

26 de março de 2006

alguma coisa arrefece dentro das minhas mãos
alguma coisa que ficou por dizer
ou um abraço por construir

e assim se tece a filigrana
do silêncio

22 de março de 2006

DEDICADO AOS VISITANTES DESTE VERSÁRIO

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade, para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com os teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.

Sophia de Mello Breyner Andresen

21 de março de 2006

apesar do frio nenhuma estrela pode ser mais bela
em dezembro o mar represando a última lua cheia


poema de "o tempo mais breve"
o rumor do dia traz-nos as flores pelas janelas da
casa

em breve todas as sombras escutarão o gosto da terra



poema de "o tempo mais breve"
para a borboleta o mundo não tem fim
só o tempo lhe pode arrancar uma asa

17 de março de 2006

título sem título


união
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une-me ao teu sonho vertical
prende-me às palavras
com que respiras a altura do dia

deixa-me ficar rente às tuas asas
enquanto esperas por mim

14 de março de 2006

sonho com chuva


sonho com chuva
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a noite começa com o rasto do dia
preso ao cansaço
que ainda não chegou a casa

(chove lentamente como as primeiras
formas do sonho)

mais adiante a escuridão será confortável
sob os lençóis invioláveis do descanso

8 de março de 2006

chaminé como boca


chaminé
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a chaminé como uma boca
entre as faias

respira a manhã
para dentro das nossas primeiríssimas
palavras

6 de março de 2006

ao anoitecer
vê-se o nome da ilha

na luz que
procura o outro lado do horizonte

na fragilidade
do tempo

que escorre com
o silêncio do nosso caminho

 
nesse instante
em que o mundo

parece somente o
lugar donde nos vemos

sem sombra que
nos prolongue

nem voz que nos
ecoe

 
ao anoitecer
vê-se o nome da ilha

é esse o
mistério que deixamos para mais tarde dissolver

não um nome como
uma concreta pedra

pesando o seu
significado

mas uma flor a
quem não importa a palavra

por ter na sua
ideia a mais alta cor do mundo

por conter a
doçura intacta da pureza

 
ao anoitecer
vê-se o nome da ilha

e é um contorno
breve de uma ternura que nos espera

tão perto tão
acessível tão formosa

como a manhã que
se seguirá

 
para nos lembrar
que o nosso corpo pesa

porque deixamos a
tristeza ocupar o seu espaço

e prolongamos
dentro de nós o ruído do cansaço

 
ao anoitecer vê-se o nome da ilha
reparemos
está lá como um coração
pulsando o primeiro beijo
é uma música branca
uma música caiada de água
 
o silêncio que se ouve
através das asas do poema
 
é uma música dolente
uma música pesada de chuva
 
a tristeza que se agarra
ao rosto da mãe cansada
o último voo das aves
leva a mão do poeta
 
o último voo das aves
há-de parecer azul
no fundo triste da noite
 
o último voo das aves
é o caminho que arde
quando a vida nos tira
o último sopro da morte

1 de março de 2006

neve na peneda


neve na peneda
Originally uploaded by danielsg.
ao longe a neve
ao perto esse frio
quase transparente

e assim se faz
uma viagem à infância
soletrada em cada passo
deste dia

21 de fevereiro de 2006

sobre a amizade


amizade
Originally uploaded by danielsg.
a amizade é este vazio
a água que não cabe na mão
o silêncio que habita o fim da tarde

a amizade é este peso no coração
o sorriso do tamanho do mundo
que carregamos sempre connosco

para vós: queridas e queridos alunos ca CCIPDVP neste dia de despedida

19 de fevereiro de 2006

detalhes do tempo


detalhes do tempo
Originally uploaded by danielsg.
a cal desgastou-se
com a pressa do tempo

e deixou as formas
da espera

a saudade como o espírito de uma hera
impossivelmente transparente

o som do tempo


eu na malbusca
Originally uploaded by danielsg.
como se escuta
o som do tempo
respirando
na gasta cal
de uma casa?

17 de fevereiro de 2006


estás tão perto
que caminhas sobre mim

estás tão perto
que a música cresce entre os meus dedos

estás tão rente à minha respiração
que abres a concha dos meus sonhos

estás tão perto
que já nem ouço o meu coração

tão perto tão perto
que acordas dentro do meu olhar

estás tão rente a este dizer
que és a pele cobrindo as palavras

tão rente tão rente
que nunca mais te posso perder

estás tão perto tão rente
que quase vivo dentro de ti

15 de fevereiro de 2006


tenho nas mãos a medida exacta do amor
a porção que nos basta para existirmos
como a coisa mais pequena do universo
junto ao seu mais profundo pensamento

um sonho perdido


michael jackson dancing feet
Originally uploaded by danielsg.
um dia dançar
assim

14 de fevereiro de 2006

lenço de namorados


lenço de namorados
Originally uploaded by danielsg.
o amor como um gesto mínimo
perdido na respiração
da vida

o amor como um corpo
que se move entre as teias da eternidade
procurando um lugar
para adoçar a felicidade

gira gira sol


gira gira sol
Originally uploaded by danielsg.
Não, tu não és um sonho, és a existência
Tens carne, tens fadiga e tens pudor
No calmo peito teu. Tu és a estrela
Sem nome, és a namorada, és a cantiga
Do amor, és luz, és lírio, namorada!
Tu és todo o esplendor, o último claustro
Da elegia sem fim, anjo! mendiga
Do triste verso meu. Ah, fosses nunca
Minha, fosses a idéia, o sentimento
Em mim, fosses a aurora, o céu da aurora
Ausente, amiga, eu não te perderia!
Amada! onde te deixas, onde vagas
Entre as vagas flores? e por que dormes
Entre os vagos rumores do mar? Tu
Primeira, última, trágica, esquecida
De mim! És linda, és alta! és sorridente
És como o verde do trigal maduro
Teus olhos têm a cor do firmamento
Céu castanho da tarde – são teus olhos!
Teu passo arrasta a doce poesia
Do amor! prende o poema em forma e cor
No espaço; para o astro do poente
És o levante, és o Sol! eu sou o gira
O gira, o girassol. És a soberba
Também, a jovem rosa purpurina
És rápida também, como a andorinha!
Doçura! lisa e murmurante... a água
Que corre no chão morno da montanha
És tu; tens muitas emoções; o pássaro
Do trópico inventou teu meigo nome
Duas vezes, de súbito encantado!
Dona do meu amor! sede constante
Do meu corpo de homem! melodia
Da minha poesia extraordinária!
Por que me arrastas? Por que me fascinas?
Por que me ensinas a morrer? teu sonho
Me leva o verso à sombra e à claridade.
Sou teu irmão, és minha irmã; padeço
De ti, sou teu cantor humilde e terno
Teu silêncio, teu trêmulo sossego
Triste, onde se arrastam nostalgias
Melancólicas, ah, tão melancólicas...
Amiga, entra de súbito, pergunta
Por mim, se eu continuo a amar-te; ri
Esse riso que é tosse de ternura
Carrega-me em teu seio, louca! sinto
A infância em teu amor! cresçamos juntos
Como se fora agora, e sempre; demos
Nomes graves às coisas impossíveis
Recriemos a mágica do sonho
Lânguida! ah, que o destino nada pode
Contra esse teu langor; és o penúltimo
Lirismo! encosta a tua face fresca
Sobre o meu peito nu, ouves? é cedo
Quanto mais tarde for, mais cedo! a calma
É o último suspiro da poesia
O mar é nosso, a rosa tem seu nome
E recende mais pura ao seu chamado.
Julieta! Carlota! Beatriz!
Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto
Que se não brinco, choro, e desse pranto
Desse pranto sem dor, que é o único amigo
Das horas más em que não estás comigo.

Vinicius de Moraes

borboletazul


borboletazul
Originally uploaded by danielsg.
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

6 de fevereiro de 2006

raindrops from heaven


raindrops
Originally uploaded by danielsg.
a chuva cai em mim
e soa como uma carícia
perdida no tempo

sei que me adora o rosto
como uma mão um dia
me moldou esta boca

movimentos perpétuos


chuva
Originally uploaded by danielsg.
vais ver
que a chuva traz
movimentos perpétuos
no coração da viagem

a eternidade do tempo que se repete
inverno após inverno

para o vermos
atentamente
com uma chavená de chá

3 de fevereiro de 2006

RECADO PARA A ARIANA:


deixa-me a tua morada... tenho uma surpresa para ti

outra vez (os detalhes)


pormenor em noiva
Originally uploaded by danielsg.
outra vez os detalhes
escapando entre os dedos
como gotas de chuva

um olhar atado à tristeza
tecendo a palavra
com que chora

2 de fevereiro de 2006

milhafre na chaminé


milhafre na chaminé
Originally uploaded by danielsg.
um milhafre na chaminé:
a perfeita serenidade
do fim da tarde

com o silêncio da paz
acompanhando
o cansaço a casa

porta de entrada


porta de entrada
Originally uploaded by danielsg.
na casa da malbusca
há um lugar à mesa
da amizade

na casa da malbusca
as portas são o abraço
que se estende

e as janelas
o olhar que espera
atentamente
pelo amigo

flor sem nome (ainda)


flor
Originally uploaded by danielsg.
esta flor não tem nome
não sei como chamá-la
agora que saiu do seu coração
enovelado de orvalho

PEACH TREE (do Rufus Wainwright)


Peach Tree in Bloom VVG
Originally uploaded by danielsg.
Is true love a trip to Chinatown
Or being held in one's opium gaze
Under the peach trees
There I'll sit and wait

Is true love a long walk through Bryant park
Or being held in the month of May
under the peach trees
There I will be, will be until you come and get me

Cause I'm so tired of waiting in restaurants
reading the critics and comics alone
With a waiter with a face made for currency
Like a coin in ancient Rome

And I really do wish you were here next to me
cause I'm going to see James Dean
There I will be
Under the peach trees with him



- foi só para partilhar
uma música que me faz
;(

sebastião


sebastião
Originally uploaded by danielsg.
au au
au au au
au au au au
au

au

au

(isto foi o que ele me disse
quando lhe apareci com a vassoura na mão:
eram três da manhã
e ninguém dormia na aldeia)

praia ao amanhecer


praia
Originally uploaded by danielsg.
é aqui que me sento
a ver crescer a manhã

à espera
(sempre à espera)
que chegue a primavera

issa kobayashi para a ariana


poetry from Imazoo
Originally uploaded by danielsg.
Em vão o menino tentava



Segurar uma gota de orvalho



Entre o polegar e o indicador



[é (digo eu) como tentarmos segurar a memória da nossa infância

é bem mais fácil
abraçarmos os amigos desse tempo
perdidos ou achados
na velocidade dos dias]

rosas para a norma


roses
Originally uploaded by danielsg.
rosas para ti
como as que ricardo reis
contemplava
com a fina tristeza (escondida)
de saber que o tempo passa
e nada fica igual

rosas para ti
como um pensamento feliz
ou um abraço

que entre a distância e o não saber-te o rosto
é o mínimo carinho
que sobrevive
a este inverno

sunflowers by van gogh


sunflowers by van gogh
Originally uploaded by danielsg.
há dias que não se esquecem
como coisas belas
que se prendem
ao tear da eternidade

dando-nos a fina seda
da ternura

no profundo silêncio
dos dias

(parabéns)

1 de fevereiro de 2006

no pormenor está o rosto da intimidade


flickr in javali do deserto
Originally uploaded by danielsg.
olha os pormenores das coisas
a intimidade à flor da pele
das coisas

as que amamos ou as que guardamos
junto do coração

como pequenos entes enamorados
de ternura

pequenos entes que nos falam
da respiração que dedicamos
a cada gesto

no pormenor está o rosto da intimidade
a porta aberta para a voz
do silêncio

o poema que sabemos ser o nome
da nossa alma


(versos com imagem de joão ribeiro)