
4 de julho de 2009
26 de junho de 2009
14 de junho de 2009
28 de maio de 2009

a cidade faz-se de subterrâneas noites
suturando as partes desavindas da arquitectura
a cidade faz-se de candeeiros desabrigados
fingindo uma sombra sobre a solidão das horas
a cidade faz-se de palavras reservadas
aguardando a olorosa inquietação dos poetas
a cidade faz-se de escadas cambaleantes
abrindo um pórtico no chão do silêncio
20 de maio de 2009
19 de maio de 2009
17 de maio de 2009

16 de maio de 2009
Staring at a ceiling full of stars
When it suddenly hit me
I just have to let you know how I feel
We live together in a photograph of time
I look into your eyes
And the seas open up to me
I tell you I love you
And I always will
And I know that you can't tell me
And I know that you can't tell me
So I'm left to pick up
The hints, the little symbols of your devotion
So I'm left to pick up
The hints, the little symbols of your devotion
I feel your fists
And I know it's out of love
And I feel the whip
And I know it's out of love
I feel your burning eyes burning holes
Straight through my heart
It's out of love
It's out of love
I accept and I collect upon my body
The memories of your devotion
I accept and I collect upon my body
The memories of your devotion
I feel your fists
And I know it's out of love
And I feel the whip
And I know it's out of love
I feel your burning eyes burning holes
Straight through my heart
It's out of love
It's out of love...
14 de maio de 2009

há um caminho que nos faz acreditar
que nenhum esforço é vão
que todos os passos nos levam a um outro abraço
sempre maior
ou a outra fonte
onde a sede se apaga
como uma criança que adormece no meio do choro
há um caminho que espera por nós
e se faz dos nossos sonhos
enquanto estamos parados no meio do inverno
com as mãos frias e o coração fechado
como um ninho de melros à espera de outra canção
eu sei que a primavera é pontual como toda a manhã
e que não se importa com quantas árvores
o mundo a espera
mesmo que chova e que num ou noutro andamento
pareça que mova o mundo de lugar
(ensaio para um pensamento sobre a primavera)
10 de maio de 2009
2 de maio de 2009
27 de abril de 2009
Obrigado pelo amável interesse no meu livrinho "casadescrita"... fico feliz por saber que há alguém desse lado. Partilho convosco, um dos textos:
a casa escrita
a casa escrita
abre a sua grande janela
musical
deixa volutear as suas cortinas
brancas
como a orla de uma dança
cristalina
e chama as cotovias
a água primordial
do dia
o gato azul
para se sentar
no colo do poeta
24 de abril de 2009
15 de abril de 2009

talvez seja verdade que os pássaros morrem longe
que ninguém os vê abraçarem a eternidade
e largarem as asas para tomarem uma palavra
uma gota comunicante com a orla do infinito
talvez seja verdade que tudo o que basta é uma janela
um outro lado para onde possamos olhar
um espaço onde a luz ainda é feita a partir da paz
ou de outra qualquer forma encontrada com a manhã
talvez seja verdade que temos as mesmas asas dos pássaros
e que podemos ficar tão sós que nem a morte nos reconheça
tão inteiros como nenhuma outra árvore
tão sinceros como nenhum outro poema

todos os artistas criam
obras de arte
cânticos
bordados
peças tiradas à boca dos pássaros
brancura intacta de deus
a pedra crescente
um corpo imenso ocupando o silêncio
tecidos escritos à mão
e outras asas para prender o desejo
de ver tudo
todos os artistas criam
obras de arte
mas é tão pequeno este lugar
e ainda mais pequeno
o tempo que nos dão para amar o mundo
e todos os seus artistas
e todas as suas obras de arte
1 de abril de 2009
31 de março de 2009
29 de março de 2009
28 de março de 2009


27 de março de 2009

24 de março de 2009

21 de março de 2009

10 de março de 2009

as mãos criam o mundo
devagar
puxam da terra as estrelas
a pequenas coisas
que nos ajudam a sonhar
as mãos fiam e fiam
tudo o que nos há-de
cobrir
as roupas com que dançamos
o suor com que lavramos
os campos por florir
as mãos guardam os mistérios
as memórias e as cores
da tradição
guardam o nome das coisas
como quem protege um beijo
no coração
as mãos criam o mundo
devagar
e hão-de ser sempre elas
dobando e alando o caminho
com que havemos de perdurar
22 de fevereiro de 2009

21 de fevereiro de 2009

20 de fevereiro de 2009

não digo a cor
que essa tem a sua asa solta no mar
por mais que uma ilha seja feita de flores
ou de pedras ou de torpor
não digo a cor
que a noite também a guarda
por mais que durmamos no relento do cansaço
e um anjo se tenha prometido na carne do amor
não digo a cor
que o vestido com que te foste embora
ficou nas palavras com que te acenaste
e no silêncio sussurrado ao pormenor
não digo a cor
digo o espaço digo o imenso horizonte
digo o soluço que me prende as mãos
e no lugar da palavra deixa um rumor
(primeira versão: para o joão pinto)
5 de fevereiro de 2009
4 de fevereiro de 2009
estou a dizer-te que já todos os poetas inventaram o amor
que nas minhas mãos o amor é apenas silêncio que vaza
que o amor não pode ser mais belo do que este verso:
antes de conhecer-te já eu te ia beijar a tua casa
estou a dizer-te que se tinha que te escrever uma carícia
nenhuma palavra há que não tenha quebrado já a sua asa
talvez acabes por perceber na doçura de todo este carinho
que não tenho mais música por onde possas subir até mim
ou madressilvas para te estenderes por todo o meu verão
estou a dizer-te que nunca soube dizer-te como te amar
como se regressasse a um instante em que fui apenas pedra
ou borboleta impassível colorindo o seu efémero coração
estou a dar-te à boca as poucas carícias que saem da minha
como se eu pudesse inventar um verso no lugar de um beijo
e talvez acreditasse que o amor tem sempre um novo aluvião

poema publicado na antologia OS DIAS DO AMOR - depois da generosidade da Inês Ramos
28 de janeiro de 2009
19 de janeiro de 2009
18 de janeiro de 2009

14 de janeiro de 2009

3 de janeiro de 2009
assim me mantive vivo nos últimos anos
deixei-me ficar nesta rua
nesta rua onde foste a mais lilás das assombrações
e acabei por me parecer com a paragem do autocarro
onde todos se abrigam e protegem do tempo que passa
foram apenas alguns anos
apenas uma vida que dava para habitar todo um sonho
uma vida que somada ao silêncio
fazia o livro de poesia mais triste de sempre
e contudo bastou para que me crescessem estas asas
que batem agora contra o vento do inverno
como uma árvore que interrompe
a respiração da cidade
a mesma cidade onde fomos felizes por um instante
um instante apenas
tão pouco tão pouco
tão pouco
25 de dezembro de 2008
23 de dezembro de 2008
ao mesmo nome com que chamamos as nossas rosas
volta tudo ao mesmo sentido imperceptível da tristeza
ao quarto fechado pela lado impossível da noite
volta tudo a ter uma mão por onde se puxe o soluço
por onde a chuva doa mais
como um vidro que nos amputa a palavra
e deixamos de ter a poesia do nosso lado
para escutarmos apenas o silêncio
22 de dezembro de 2008

21 de dezembro de 2008

6 de novembro de 2008

PARA O POMPEU... NO DIA 5 DE NOVEMBRO (MÊS DE POETAS ESTE NOVEMBRO)
no tempo em que festejamos o dia dos nossos anos
tudo é possível:
a manhã atravessa o silêncio da espera
e beija-nos no rosto inviolável da poesia
uma palavra imensa descobre o seu areal infinito
e faz-se ilha dentro do ventre azul do sonho
no tempo em que festejamos o dia dos nossos anos
tudo é possível:
o sal retoma o seu lugar no coração do tempo
e preserva a memória mais doce
e tudo pode ser reencontrado por dentro de um abraço
até a semente do girassol que nos morreu na boca
4 de novembro de 2008

POEMA COM FOTO DE PEPE (SEGUNDA VERSÃO - TRANSPIRADA)
íamos os dois no mesmo caminho
ignorando o acender da manhã
tínhamos a noite atrás de nós
o esquecimento das coisas infelizes
o silêncio triste e a ferida suturada da distância
íamos os dois na mesma palavra
à procura do mesmo verso
um poema que nos desse o resto do amor
o amor de que apenas conhecemos a respiração
as mãos e uma ou outra música incandescente
íamos os dois na evidência da nossa sede
buscar a água às cidades que desenhámos no nosso sonho
as cidades onde nos permitem voar
as cidades onde as ruas têm candeeiros
como finas heras sobre o medo de estarmos sós
íamos os dois à procura da nossa vida
como se nunca tivéssemos vivido
olhando à volta da nossa frente
todas as coisas pela primeira vez
de mãos atadas e olhos transparentes
para que nenhum instante se perdesse
nunca mais
(4 novembro 2008)
14 de setembro de 2008

a cidade prendeu-me a esta janela
e deu-me uma camisa de insónia
para vestir o meu cansaço
olho a cidade que perdeu agora as entrelinhas
as paredes tatuadas nas palavras desidratadas
o peso dos gatos das estrelas
e percebo que a noite é a remissão de todas as misérias
para os velhos cuja fome se dilui
no mistério do sono
para as escadas que deixam de levar
os abreviados os prostrados
as pétalas das rosas impossíveis de despir
e para mim
que tropeço na saudade da árvore onde nasci
in "rumores para a transparência do silêncio" 2008 - com foto pepe

ouves ao longe um estremecer de primavera
no cume do frio da manhã
é uma mulher tocando uma concertina
um alaúde uma árvore de afectos
ou um gato azul
pouco te importa a água em que se move
se o que te prende agora
e te transforma uma vez mais o rosto
é a nitidez honesta do sorriso
uma mulher que te chamou de longe
para te dizer que te conhece
porque o teu sorriso
é como o dela
in "rumores para a transparência do silêncio" 2008 - com foto pepe

há escadas que nos levam para o coração das cidades
como travessias que se inclinam para a raiz da terra
há escadas que tocam a música das casas inabitadas
escadas indigentes escadas panfletos escadas mistérios
violoncelando a inevitável sobrevivência da morte
há escadas ao longo das vitrinas aquosas que nos iluminam
escadas que nos voltam as páginas toldadas de tristeza
e nos expõem alguma paz subtraindo ao odor da solidão
o gosto amargo de estarmos suspensos na mesma palavra
e há escadas lembrando a posição solene das floreiras
que nos sobem e descem a saudade de haver árvores
in "rumores para a transparência do silêncio" 2008 - com foto pepe























