29 de novembro de 2009

REGRESSAR À NORMALIDADE


Decidi há dias regressar ao tempo em que comunicava por carta. Decidi regressar à normalidade de um tempo em que os amigos eram verdadeiros e a única coisa virtual era a própria palavra virtual. Amigos eram os que correspondiam e se davam ao trabalho de colar um selo com a sua língua...

Acabei com o Facebook e com o Twitter. Não doeu nada, pelo contrário, senti uma espécie de alívio. Não vou ter pena dos duzentos e tal amigos... deixei lá o meu endereço. Quando sentirem a minha falta, é só escreverem-me. Contam-me então todas as coisas que os deixam felizes, apenas aquelas que interessam e nada de quintas virtuais! E depois eu respondo sempre, sempre e mando prendinhas também.

Mantenho-me, contudo, neste blogue. É uma coisa minha nem que seja apenas para mim, embora saiba que há muitas pessoas que o lêem. A elas deixo o meu carinho e a vontade que me escrevam, também. E depois, já sabem, respondo sempre.

Um abraço, Daniel.

4 comentários:

Papoila Sonhadora disse...

Concordo.

A era do vazio
O processo de personalização emergiu no interior do universo disciplinar, de modo que o fim da época moderna se caracterizou pelo casamento de duas lógicas antinómicas. Foi a anexação cada vez mais patente das esferas da vida social pelo processo de personalização e o recuo concomitante do processo disciplinar que nos levou a falar de sociedade pós-moderna, ou seja de uma sociedade que generaliza uma das tendências, inicialmente minoritária, da modernidade. Sociedade pós-moderna, maneira de dizer a inflexão histórica dos objectivos e modalidades da socialização, colocados hoje sob a égide de dispositivos abertos e plurais; maneira de dizer que o individualismo hedonista e personalizado se tornou legítimo e já não depara com oposição; maneira de dizer que a era da revolução, do escândalo, da esperança futurista, inseparável do modernismo, terminou. A sociedade pós-moderna é a sociedade em que reina a indiferença de massa, em que domina o sentimento de saciedade e de estagnação, em que a autonomia privada é óbvia, em que o novo é acolhido do mesmo modo que o antigo, em que a inovação se banalizou, em que o futuro deixou de ser assimilado a um progresso inelutável (...)
Os grandes eixos modernos, a revolução, as disciplinas, o laicismo, a vanguarda, foram desafectados à força de personalização hedonista; o optimismo tecnológico e científico desmoronou-se, enquanto as inúmeras descobertas eram acompanhadas pelo envelhecimento dos blocos, pela degradação do meio ambiente, pelo apagamento progressivo dos indivíduos; já nenhuma ideologia política é capaz de inflamar as multidões, a sociedade pós-moderna já não tem ídolos nem tabus, já não possui qualquer imagem gloriosa de si própria ou projecto histórico mobilizador; doravante é o vazio que nos governa, um vazio sem trágico nem apocalipse.»
Gilles Lipovetsky, A era do vazio, pp. 9-11.

“…a razão mais importante de se ir de um lugar ao outro é ver aquilo que há entre os dois lugares…”(The Phantom Tollboth de Norton Juster)

Um abraço.

dade amorim disse...

Compreendo profundamente seu movimento de volta à vida real, Daniel, e me identifico a ele sem dificuldade alguma. Difícil é lidar com a multidão estranha e indiferente dos chamados sites de relacionamento.

Abraço.

Papoila Sonhadora disse...

Um abraço de Amizade.
Votos de Festas Felizes.
Sandra.

Guiduxa disse...

Não me admira a atitude. Admiro-te cada vez mais. Beijo terno. Margarida Rosa