5 de novembro de 2009



lembra-me da primeira vez
era inverno pela metade ainda
a noite tão longa e tão pouco tempo

lembra-me da primeira vez
havia incensos e velas que estavam apagadas na sua cintilação
mas iluminavam de maçã e canela o teu quarto

lembra-me da primeira vez
o teu quarto era a tua casa
cabiam os teus livros as minhas cartas a nossa espera

lembra-me da primeira vez
desenhámos nas nossas mãos o caminho que queríamos traçar
o mapa que depois havíamos de entornar sobre as nossas próprias bocas

lembra-me da primeira vez
eu lembro apenas que quase esqueci


2 comentários:

Papoila Sonhadora disse...

Nunca se esquece a primeira vez: seja que primeira vez for.
A ternura deve permanecer, sempre, para la das vezes. A ternura e os odores, sejam da canela ou outro aroma devem eternizar-se:sempre!
Gostei. Muito. Mesmo.

1 Abraço de amizade.

Isabel disse...

re.prazer de ler. sempre

.


obrigada.


(piano)